Na atualidade há uma forte tendência social, em todo mundo, de uma transformação na forma de estruturarmos o mundo do trabalho. Antes, movido por uma ética do dever passando no cenário atual a se configurar baseado no hedonismo, ou seja, no prazer.
A internacionalização e a crescente competitividade do mercado trouxeram novos desafios, exigindo novas habilidades e competências das organizações, consequentemente, uma pressão maior foi repassada a todos que estão envoltos no processo. Tais mudanças fizeram com que as pessoas tivessem que ser mais especializadas para garantir seus cargos. Contudo, essa tensão trouxe problemas tanto na vida profissional quanto na vida privada. Com isso, um novo desafio se mostrou presente nos dias de hoje, como trabalhar estas tensões, transformando-as em algo que corrobore para a qualidade de vida.
Busca-se hoje uma ética voltada para o prazer vinculado a eficiência, para que se consiga direcionar as pessoas certas nas posições corretas, garantindo assim produtividade.
Uma pesquisa realizada com 14.660 executivos e gerentes, apresentada pela revista RAE, Revista de Administração de Empresa (RAE, SP, V. 36,n.3,p.14-22, Set.1996), demonstrou que trabalhadores que se mostravam insatisfeitos no trabalho, em sua maioria, o motivo estava ligado à razões externas ao ambiente corporativo, e estas razões, em geral, estavam relacionadas à sua qualidade de vida, que poderia ser resumida como o gerenciamento da tensão entre vida profissional e privada. Na pesquisa, vários funcionários que eram mandados para o exterior não se adaptavam, não em função do trabalho em si, mas sim pela insatisfação de muitos familiares que os cobravam de ter que deixar seu país, pela pressão do parceiro e da família.
Exemplos como esse são muitos em nosso cotidiano. Em uma instituição da qual faço parte, uma funcionária, responsável pela limpeza, estava com pouca produtividade, faltando ao trabalho, já pensávamos em demití-la. Entretanto, pouco antes disso acontecer à cozinheira do setor entrou de férias e tivemos que realocá-la, nesse período ela se transformou. Mesmo tendo acumulado duas funções, ela se mostrou muito competente, ao ponto de chamar a atenção de todos. Em conversa com essa funcionária, ela nos confidenciou que tinha um sonho de abrir um restaurante, que amava cozinhar. Percebendo seu interesse e habilidades a mudamos de função e não foi preciso demiti-la, e ela continua satisfeita e produtiva.
Frente a isso, é fundamental que o RH das empresas deva estar atento a estes comportamentos, pois, por mais que consigamos separar o profissional do pessoal, somos formados por uma simbiose entre ambos os aspectos.
Cada vez mais nos vemos próximos a uma era onde as pessoas não serão mais remuneradas pelo seu trabalho em si, mas por suas habilidades, pelo conjunto de suas competências e capacidades, ou seja, estamos avançando para uma mudança de paradigma, onde o valor agregado do capital humano será mola indispensável e inerente no mundo corporativo.