O governo federal divulgou o calendário para o saque de contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a notícia deixou grande parte da população ansiosa para colocar o dinheiro no bolso. Segundo informações da Agência Brasil, a Caixa Econômica Federal (CEF) tem uma expectativa de que sejam sacados e injetados na economia cerca de R$ 30 bilhões. Ao todo, são 49 milhões de contas inativas e o potencial de saque é de R$ 43,6 bilhões.
Com base nessas estimativas, cerca de 30% dos beneficiários que têm direito ao saque podem acabar optando por manter o dinheiro na conta do FGTS. Por mais que a notícia sobre o saque tenha despertado o interesse de grande parte da população, há quem imagine que não mexer no dinheiro pode ser bom negócio para não gastá-lo. O grande problema, nesse caso, é que o dinheiro parado no FGTS gera uma falsa sensação de economia.
O que acontece, de fato, é que as pessoas acabam perdendo poder de compra. Ainda que a Medida Provisória do governo preveja um rendimento anual melhor – passando de 3% + TR para 5% + TR -, esse percentual ainda não é suficiente para superar a inflação oficial do País, que no ano passado fechou em 6,29% e nos últimos doze meses acumula 5,35%. Até mesmo a caderneta de poupança, que hoje rende 6,17% ao ano + TR, tem uma performance melhor do que o FGTS.
Sendo assim, se o interesse é economizar dinheiro e ter um investimento conservador, o ideal é sacar o valor e optar por aplicações financeiras que remunerem melhor do que a inflação. Neste sentido, existem os títulos públicos do Tesouro Direto – sendo que o Tesouro Selic segue como uma das melhores opções. Ainda que o governo tenha reduzido a taxa básica de juros da economia para 13% ao ano, o investimento ainda oferece um retorno interessante aos investidores – já com desconto de taxas e impostos.

Outra opção interessante são os CDBs de bancos. De um modo geral, eles remuneram o consumidor com base no CDI – uma taxa usada entre os bancos e que acompanha o comportamento da Selic. Para que o CDB escolhido para investir o saldo do seu FGTS valha a pena, é preciso que o banco pague, pelo menos, 98% do CDI para igualar a remuneração do Tesouro Direto.

Essas dicas são válidas para quem tem o foco de investir o saldo do fundo de garantia. Vale ressaltar, no entanto, que para aqueles que têm dívidas em aberto o ideal é usar o saldo para quitar as pendências – principalmente se forem dívidas com juros altos. Não adianta, por exemplo, investir em um título público que ofereça um rendimento de 11% ao ano se você tiver uma dívida em que estiver pagando 40% de juros ao ano. Na hora de tomar suas decisões financeiras, faça com que os juros trabalhem a seu favor.

Autor: Samy Dana

Fonte: G1 Economia