No mês de outubro tiveram início as filmagens do filme “Redemoinho”, uma adaptação da obra Inferno Provisório de Luiz Ruffato. O longa tem a direção do diretor José Luiz Villamarim, o mesmo das séries “Amores Roubados” e “O Rebu” da Rede Globo. A produção é da Bananeira Filmes e entre os atores estão Selton Mello, Irandhir Santos e Cássia Kiss.

As filmagens contam com o apoio de instituições que integram o Polo Audiovisual da Zona da Mata, projeto que agrega empresas, universidades e municípios da região com o objetivo de atrair produções cinematográficas e aumentar a capacidade de formação de profissionais na área.

É antiga a relação de Cataguases com o cinema. Em 1920 houve uma intensa produção cinematográfica na cidade dirigida por Humberto Mauro, um dos precursores do cinema no Brasil e que deixou um forte legado no município.

Desde aquela época a sétima arte vem encantando diversos públicos seja para assistir ou participar das filmagens. João Pedro Gardingo de 14 anos é um desses meninos que recentemente participou da seleção de Redemoinho. “Quando vi o anúncio na escola resolvi me inscrever, mas sem muita esperança de conseguir uma vaga. A cada teste que fazia e era selecionado minha expectativa aumentava. Serei um personagem-fala e a gravação deve demorar dois dias aproximadamente. Estou muito emocionado. Não pensava em ser ator, mas sempre quis participar desses filmes. Em O Menino no Espelho eu perdi a data da inscrição. Acho muito interessante você ter que incorporar um personagem, ser outra pessoa. Não é só ler e decorar o texto.”

As produções cinematográficas movimentam diversos setores da economia como hotéis, restaurantes, taxistas, entre outros. Além disso, por meio das oficinas da Fábrica do Futuro, Festival de Ver e Fazer Filmes, entre outras ações várias pessoas da cidade foram capacitadas para trabalhar nos bastidores.

Outros participaram e hoje buscam algo mais. O ator e jornalista Tarcísio Vória, 26 anos, trabalhou em 4 longas e 12 curtas. “Foram experiências importantes e que me fizeram perceber que eu precisava me aprofundar mais. As ações foram interessantes até certo ponto, sou muito grato as iniciativas do polo até 2010, mas hoje busco mais do que o polo pode me oferecer. Para minha geração é importante que as instituições discutam com o poder público para criar uma escola de audiovisual ou uma faculdade. Não para trabalhar como assistente do assistente.”

Para Tarcísio, atualmente é mais vantajoso produzir filmes independentes, aproveitando as leis de incentivo. “O filme “Eu não tenho herói” em minha opinião foi um divisor de águas para quem trabalha com audiovisual dentro da cidade. Mostrou que a galera daqui sabe trabalhar. Porém precisamos de crédito e confiança. Só conseguimos fazê-lo pela lei de incentivo e apoio de comerciantes locais.”

Até o momento, com tantas produções audiovisuais uma deficiência em Cataguases é a falta de um cinema. O Cine Edgar, local onde antigamente era transmitido os filmes, foi fechado em 2013 depois de ser vendido. A prefeitura está buscando a desapropriação do imóvel. Porém está prevista para Novembro a inauguração de duas salas de cinema 3D no Shopping Bahamas com a capacidade de ocupação de 140 e 200 lugares. As obras já foram iniciadas e a expectativa é grande. Segundo a cataguasense Joice Oliveira foi uma ótima iniciativa, pois é mais uma opção de entretenimento na cidade. “Com toda a sua história com o cinema, Cataguases merecia esse presente. Estou ansiosa para a inauguração, pois adoro filmes!”