Carlos Eduardo Freitas Costa carlos

Bacharel em Economia pela UFMG, especialista em Marketing pela
CEPEDERH-UNA, em Finanças Empresariais pela FGV e mestre em Administração pela PUC
Minas/ Fundação Dom Cabral. Professor, colunista e escritor.

 

Alguns estudos recentes mostram que o comportamento do consumidor brasileiro é diferente do consumidor de outros países. Em outros países, existe uma maior sensibilidade do consumo à variação da taxa de juros. No Brasil, país que ainda convive com uma das maiores taxas de juros, o consumo é pouco afetado pela simples variação dos juros. O que importa para o brasileiro é o valor da prestação. Se o consumidor acha que ela cabe em seu bolso, corre para adquirir o produto. Não pensa em nada mais, inclusive na taxa de juros que ele está pagando.

Nos últimos anos, o crescimento do Brasil foi ajudado pela expansão do crédito. As pessoas passaram a consumir uma série de produtos e serviços, adquiridos em parcelas a perder de vista. Tudo no Brasil pode ser comprado em prestações: desde produtos mais baratos como roupas e sapatos até produtos mais caros, como automóveis e imóveis. E este hábito não é exclusivo das classes menos favorecidas. Até os consumidores de alto poder aquisitivo parcelam suas compras. Algumas lojas internacionais de produtos de luxo oferecem exclusivamente no Brasil a opção de se dividir a compra de um produto que custa alguns milhares de reais, como as tão desejadas bolsas da marca francesa Louis Vuitton.

A taxa de juros aplicada em um financiamento acaba por determinar o valor final a ser pago pelo consumidor. Quanto maior a taxa, mais caro ficará um produto. Vejamos o exemplo de uma geladeira que custe R$ 1.000,00. Se ela for adquirida em 24 parcelas com uma taxa de juros mensal de 8%, a prestação ficará em R$ 94,98, levando o consumidor a gastar R$ 2.279,52 no total. Compra-se uma geladeira, mas paga-se mais de duas. Se a taxa cair para 4% ao mês, a prestação mensal ficará em R$ 65,59 e o gasto total em R$ 1.574,16. Neste caso, compra-se uma geladeira, mas paga-se uma geladeira e meia. Com uma taxa de 2% ao mês, a prestação mensal fica em R$ 52,87 e o valor total desembolsado em R$ 1.268,88. Uma compra planejada pode evitar este custo adicional.  Guardando um valor de R$ 90,00 mensalmente (um pouco menos do que a parcela do financiamento mais caro), em menos de um ano já tem o valor para comprar a geladeira à vista (e podendo obter um desconto).

A falta de educação financeira acaba induzindo os consumidores a um grave erro. O consumidor pensa isoladamente no valor da prestação, esquecendo-se de todos os seus outros compromissos. Inclusive prestações de outras compras realizadas. Como não tem o hábito de registrar o orçamento doméstico (que mostra os rendimentos e despesas de uma família), não se consegue precisar com muita certeza qual é o valor disponível para novos compromissos. Ou até mesmo se existe algum valor disponível. Como consequência dessa decisão de compra, que muitas vezes não caberia no orçamento familiar, em pouco tempo não se consegue pagar mais as prestações. Resultado: aumento do endividamento das famílias brasileiras ( fenômeno cada vez mais noticiado pela imprensa do nosso país).

Mandem dúvidas e sugestões para o e-mail carloseduardo@harpiafinanceiro.com.br