Escutem! Estão gritando nas praças. Ouçam! Há gritos infantis, juvenis. Percebam!

Multidões estão gritando, são mães, pais, jovens, homens, mulheres. Um grito

agonizante; gritos de aflição, de gente exausta, perdida, confusa. Há um clamor

que emerge dos lábios de corações desesperados por alguém que os escute,

alguém que se importe, alguém que se compadeça.

Escutem! Prestem atenção ao grito silencioso das crianças vítimas do descaso de

seus pais, crianças famintas, crianças feridas pela insanidade de homens

violentos, que violentam a sua inocência, abusadores, pedófilos. Escutem! Dá

ouvidos aos gritos de uma mãe que clama, suspira e desfalece, Há um desespero!

Onde está meu marido? Acudam meu filho! Mães que derramam lágrimas por um

pai, marido ausente, adúltero, alcóolatra, violento, escarnecedor. Escutem! Agora

são os jovens que gritam a plenos pulmões! Estão gritando nos bares, no colo de

uma prostituta, no tragar de um cigarro, no uso das drogas, em meio à prostituição,

gritam por socorro, por alívio, por aceitação. Há gritos que clamam pela justiça,

são pessoas sufocadas pela opressão de homens corruptos, ladrões que desfilam

em carrões e habitam em mansões, que comem nos melhores restaurantes e

viajam por toda parte fazendo uso de riqueza ilícita.

Ouçam, agora! Este grito vem dos hospitais, das clínicas psiquiátricas. Estes gritos

são pedidos de ajuda, pedidos de paz, de sossego. Dê ouvidos! Escutem, prestem

atenção! Há gritos suicidas de pessoas com armas em punho, cordas em torno do

pescoço, mãos cheias de remédios. Gritos de pavor, desespero, de morte! Ouçam!

Crianças no ventre, gritam, querem viver, são gritos de um suplício aos pais para

que não as arranque do ventre.

Enquanto uns gritam outros fazem barulho. Este barulho vem dos templos

adornados, músicas, danças, festejos, promessas de carros, casas e mansões.

Barulho, quase ensurdecedor. Uma confusão, muita gente falando! Muitas opiniões

e argumentos! Quase não se entende o que dizem. Há muita pompa! Desfiles de

moda! Roupas alinhadas, lindas canções, mega produções e construções. Há

altivos, esbanjadores, olhem! Vejam! Ouçam!

Gritos e barulhos, isso dá confusão, surdez. Ninguém se entende! Mas há uma

voz, mansa, firme, apaixonante; ouçam! Escutem! Pare de fazer o que estão

fazendo, escutem! Esta voz é um convite aos cansados, desanimados, aflitos,

oprimidos, uma voz que emerge de quem está escutando os gritos. Esta mesma

voz também está dizendo “ide fazei discípulos”, a mesma voz indaga-nos: “a quem

enviarei?”

Onde estão os trabalhadores da seara?

Rev Carlos Eduardo Souza Castro

Meditação extraída dos textos de Mateus 9, 35-38; 11,28; 28, 19 e Apocalipse 3,

14-22.