A passos lentos, Brasil se torna cada vez mais conectado

Já imaginou viver em um mundo sem internet? Há cerca de 25 anos, esta pergunta poderia ser facilmente respondida. Hoje, o cenário é bem diferente. Dados da consultora em tecnologia eMarketer preveem que cerca de 3 milhões de pessoas estejam ligadas à rede este ano. Já o Brasil tornou-se o quarto país com a maior população de usuários. Notebook, smartphones, televisões inteligentes e eletrodomésticos hipnotizam internautas ao conectá-los aos seus interesses. Segundo o ex-ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a meta do governo é fazer conexões de fibra ótica em pelo menos 95% dos municípios brasileiros dentro de quatro ou cinco anos. A conexão móvel é a grande aposta em paralelo ao desenvolvimento do 4G no país. O consumo visto nos últimos anos tornou mais democrático o acesso aos bens como celulares e tablets.

Este processo fez com que o interesse dos anunciantes se voltasse à rede. Mais do que popularizar a informação, há a necessidade por parte dos empresários de tornar o acesso alcançável a todos os setores sociais. Quanto mais pessoas online, maior o número de consumidores em potencial. A junção de áudio, vídeo e texto em uma única plataforma tornou a internet indispensável e fez com que ela, gradativamente, ocupasse o espaço de outras mídias.        O sócio e gerente de um provedor de internet e telefonia fixa de Cataguases, Ricardo Henrique Matos de Castro, é otimista quanto ao mercado para 2015. “Se formos pensar somente em web, vai acontecer um aumento quanto à disponibilização de maiores velocidades e acessibilidade. Não sei se vai ser o avanço necessário que a população precisa, mas que irá crescer mais do que qualquer outro setor, com certeza. Até porque a economia do país necessita disso. É preciso expandir os meios onde ela trafega”, acredita.

Com mais oferta de serviço, aumenta a exigência por parte dos usuários. Eles querem uma internet cada vez mais rápida por um preço menor. “A demanda hoje em relação a downloads, filmes, serviços como o Netflix, por exemplo, streamings, cresceu muito. A internet acaba substituindo a TV em questão de estabilidade, de up time. O ser humano passou a cobrar mais e com razão”, acrescenta Ary Alves Neto, dono de um provedor de web que, neste ano, passa a oferecer TV a cabo e telefonia fixa. O usuário Gustavo Rezende, por exemplo, usa a internet apenas como hobby e, apesar de se sentir bem atendido, tem consciência de que o serviço no país está longe de ser o ideal. “Pelo que vejo falar em relação a outros lugares, a internet no Brasil, apesar dos grandes avanços dos últimos tempos, ainda é bem lenta e nós brasileiros pagamos caro pelo serviço”, comenta. Já o professor Diego Muzitano vai além. “A internet ainda é um processo em construção no Brasil. Enquanto outros países possuem as melhores ofertas, ainda caminhamos naquela velha velocidade do ‘quase parando’. Você contrata um serviço com uma velocidade maior e ela simplesmente não lhe é entregue como contratada”, revela.

Em busca de melhorar o serviço oferecido, muitas vezes as companhias se veem de mãos atadas. “Os equipamentos nacionais hoje não conseguem atender as necessidades de um provedor de internet. Conseguimos absorver dos fabricantes nacionais modems, roteadores, coisas pequenas. Agora, materiais para as torres e outros produtos para oferecer uma conexão de qualidade para os clientes são todos internacionais”, é o que conta o dono de uma empresa de segurança que também oferece o serviço de conexão, Rogério Nicolai Joaquim Seco. O governo não dá incentivos suficientes para melhorar o serviço. Em contrapartida, há a preocupação de inserir os públicos que vivem em áreas marginalizadas. “Dentro de um mês, estaremos chegando em toda a área rural de Sereno, Santana e Cataguarino”, acrescenta Rogério. O processo de globalização se torna completo quando a informação atinge a todos e, preocupada com isso, a empresa de Joaquim Seco disponibiliza acesso grátis à rede. “A importância maior não é só do governo, mas nós como provedores, preocuparmo-nos em prover tecnologia para o avanço da globalização. Hoje, nós oferecemos internet gratuita para a cidade de Cataguarino. Antes, os responsáveis pelo posto de saúde, por exemplo, tinham de vir à Cataguases para poder inserir os pedidos dos medicamentos, o que gerava atraso. Hoje, eles conseguem acessar de lá mesmo e isso facilitou muito”, finaliza. Além disso, cerca de 90% de Cataguarino possui wi-fi gratuito.

Ainda em desenvolvimento, há um programa piloto de outra empresa que quer transformar os orelhões espalhados pelas ruas em pontos com conexão. E há quem pense ainda mais longe. Segundo o site Olhar Digital, o bilionário Elon Musk revelou que quer levar a internet para o espaço. No lugar de pacotes de dados, a tecnologia permitiria a interação de satélites, passando pela Terra com o objetivo de enviar conexões aos mais variados lugares da órbita. De acordo com Elon, os resultados seriam superiores aos da fibra ótica que, atualmente, alcançam até 500 Mbps. Por enquanto, para os cataguasenses que desejam velocidade ao navegar, estão disponíveis até 40 Mbps que saem por aproximadamente R$500. Já a velocidade mais baixa seria a 1 Mbps, com o preço de R$39,90. Cada vez mais bem informados, cabe aos usuários pesquisar e escolher o serviço que melhor lhe atende e, no mesmo ritmo, fiscalizar a velocidade comprada. Acesse o site www.brasilbandalarga.com.br e confira a velocidade recebida.