Junho é o mês da Imprensa, dia 1, e do Cinema Brasileiro, dia 19. Parabéns a todos os profissionais da área. Para prestar homenagem, ouvimos alguns de seus representantes regionais.

 

Marcelo Lopes – Diretor do Site do Marcelo Lopes

“A imprensa de Cataguases e da região é marcada pela dedicação e determinação daqueles que fazem jornalismo por estas bandas. Não é fácil garimpar notícias diariamente. E esta tarefa fica ainda mais complicada quando lembramos que o retorno financeiro não é nada animador. E, por conta disso, só fica na área quem realmente gosta muito do que faz. Voltando a realidade nossa, há ainda, infelizmente, muito amadorismo no meio, o que contribui para afugentar investidores. Por fim, com exceção de Juiz de Fora, os veículos da região carecem de profissionalismo e de apoio financeiro, patrocínio mesmo. É um círculo vicioso.
O jornalismo online tem uma vantagem única sobre todos os outros veículos. Ele tem o imediatismo necessário que a notícia exige e pode ser lido horas depois, com a mesma intensidade. O leitor acompanha, ainda, o desenrolar da notícia no decorrer do dia. A internet é o rádio sem voz. Os dois meios exercem o mesmo papel, com a vantagem de que não se perde a notícia depois de divulgada, ela está documentada na forma escrita. A tendência do jornalismo online é crescer cada vez mais.
Imprensa e cinema são irmãos quase siameses. Há muitas notícias que se tornaram filmes. Enquanto o jornalismo forma opinião, o cinema parte de uma opinião para mostrar uma história. Eu vejo isso com bons olhos, porque se interagem, e como amante de cinema que sou, percebo um diálogo muito saudável entre estes dois veículos. Às vezes, o jornalismo não informa com tanta precisão. Então o cinema nos mostra algo além da notícia e acaba também contribuindo para que o público forme opinião a respeito do tema proposto”.

 

Rafael Aguiar – Diretor de cinema

“Eu me mudei para o Rio para estudar Teatro. Depois de dois anos, voltei para Cataguases para fazer “O Espelho de Joaquina”. Trabalhei com a Flávia Massena na primeira versão e ela ainda tinha o texto. Nós conversamos, eu trabalhei um novo roteiro e filmamos. Dessa vez, o filme foi apresentado em Ouro Preto, São Tomé e Príncipe, Angola. O Espelho de Joaquina foi o que abriu as portas para mim em Cataguases. Foi o que me deu crédito para as produções subsequentes.

A partir daí – junto com a amigos que eu conheci – vieram vários projetos. O principal deles foi o “Eu não tenho Herói”, primeiro filme patrocinado com recurso da Lei de Ascânio Lopes de Incentivo à Cultura, vencedor de um prêmio de um festival internacional na África. Fizemos também o “Mácula”, que estreou dia 22 de maio, um filme independente. Por último, filmamos o “Dois”, um filme maior, com a participação de Mauro Mendonça, e também foi um projeto da Ascânio Lopes, que teve o apoio de empresários e comerciantes locais e de parceiros de Além Paraíba e de Leopoldina, cerca de 30 pessoas estão envolvidas na produção.
Em Cataguases, as pessoas acreditam no nosso trabalho e são proativas, há um comprometimento da população em colaborar com os produtos culturais. O resultado final depende dessa cultura local, do apoio da Lei, do Pólo Audiovisual , das pessoas e da imprensa”.

 

 Jorge Fábio – Radialista nos programas “Revista do Rádio” e “Alô Doutor”, na Rádio Cataguases

“A imprensa pode ser entendida como um meio a serviço da coletividade e atinge seu propósito quando o interesse próprio dos donos dos veículos se afastam do direito à informação dos cidadãos. A imprensa tem valores e adquiriu funções ao longo de sua história, fiscalizar os poderes é a principal delas.
Em Cataguases e região, há muito para se explorar, para se fazer um jornalismo mais claro e imparcial. A ética e a verdade devem ser intrínsecas no exercício profissional e o interesse comercial pode influenciar seu êxito.
O cinema é um veículo não só de informação, mas também de formação de caráter e de opinião. Ele forma uma plateia e, para ser bem interpretado, requer que seus expectadores tenham uma bagagem cultural. Os filmes são representações de fatos na visão de diretores, reais ou fictícios. Ele nos liga ao passado, com ele se aprende e se obtém perspectivas futuras. É uma transposição da Literatura para as telas e, quando verdade, o jornalismo, ou melhor, o factual, faz parte de sua história”.

 

Luciana Mendonça – Professora e Assessora no Colégio Carmo

Em Cataguases e região, felizmente, há uma imprensa atuante, seja nas rádios, nos jornais impressos e sites, que são livres para fazer suas coberturas jornalísticas como bem entenderem e também para expressar as mais diferentes opiniões. Meu trabalho tem sido voltado para as assessorias de comunicação e para a docência. Por um período, fiz a assessoria do município, que incluía a edição do Jornal Cataguases, e, agora, trabalho como assessora e professora de uma instituição de ensino, além de dar aulas há 15 anos no curso de Jornalismo de Ubá. Fico feliz em ver diversos ex-alunos, hoje jornalistas, atuando em Cataguases. Torço para que a imprensa local se desenvolva, fique mais forte e tenha mais condições de desempenhar sua função, que não é tarefa fácil.

 
A maior preocupação nossa, nas aulas de Jornalismo, não é em ensinar a técnica de se fazer uma reportagem, porque isso se aprende na prática. O papel das faculdades vai além disso, pois oferecem uma formação humanística para que o futuro jornalista tenha uma visão mais aberta da sociedade e seja capaz de ir mais a fundo em suas reportagens, apurando os fatos com mais cuidado e ética e sabendo ouvir e reproduzir diferentes opiniões. Este é o desafio da nossa imprensa.
 
Quanto ao cinema, eu sou aquela que vibra com as produções nacionais e fico feliz em saber que Cataguases está em destaque novamente. Temos iniciativas bem sucedidas, um movimento muito bom que vem tomando força com o Pólo Audiovisual e com o apoio de diversas instituições. A tradição cultural da cidade, que é conhecida como o berço do cinema nacional, está pesando positivamente para que as novas gerações de artistas e produtores locais se sintam motivados a tomar frente e participar desse movimento.