Organizada por Joaquim Branco, P.J. Ribeiro e Ronaldo Werneck, a exposição “Verde” vai homenagear os 90 anos da criação da Revista Verde.

Criada em 1927, a Verde foi fruto do movimento que ofereceu ao país uma publicação modernista nascida no interior de Minas. Rosário Fusco, Henrique de Resende, Francisco Inácio Peixoto, Guilhermino César e Ascânio Lopes inventaram e lideraram a publicação.  A Revista Verde, com detalhes verdes na capa, saiu em Setembro. Seu primeiro número foi exclusivamente mineiro, contando por exemplo com a colaboração de Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura e Martins Mendes.

Em comemoração dos 90 anos do movimento que voltou os olhos do Brasil literário para Cataguases, Joaquim Branco, P.J. Ribeiro e Ronaldo Werneck organizam uma mostra com apresentação de um sarau pela Equipe do Proler e um lançamento de livros sobre o tema. O idealizador Joaquim Branco nos concedeu uma pequena entrevista falando mais sobre o tema:

Gentte SA: O que a Revista Verde representou para nossa literatura, na década de 20 e o que representa até hoje?

Joaquim Branco: Representou o início da nossa manifestação literária efetiva. Houve algumas outras isoladas e sem valor literário: eram diletantes. Verde, não. Já apareceu bem, pois contou com uma equipe talentosa e que sabia o que fazia.

Gentte SA: Porque é importante que resgatemos a memória da Revista Verde, 90 anos depois de sua primeira publicação?

Joaqui Branco: As coisas boas devem ser preservadas, não acha? O aparecimento desse movimento ensejou toda a literatura que surgiu depois e com qualidade. Falta a Cataguases um museu especial para a nossa cultura. Muita coisa já está se perdendo devido a essa falta.

Gentte SA: Até hoje, não ocorreu nenhum movimento cultural que superasse o movimento Verde. Você vê algum caminho para acontecer uma nova “Revista Verde” na cidade?

Joaquim Branco: Penso que não é uma questão de superação. Imagino as gerações que vão surgindo como aquela corrida de bastão em que um atleta percorre seu caminho e depois passa o bastão para o outro. Depois de Verde, surgiram alguns valores, mas sem ela dificilmente surgiriam. No final da década de 30, apareceu a figura isolada de Henrique Silveira, um poeta sensível, mas com uma pequena obra. Em 1948, foi o grupo Meia Pataca, em que se destacaram Francisco Marcelo Cabral e Lina Tâmega Peixoto, poetas de grande estatura literária, com produção até a contemporaneidade. Nos anos de 1960, foram 2 os grupos na cidade: o CAC e o TOTEM, ambos com muitos participantes e que deixaram suas marcas, sendo que alguns estão produzindo até hoje. Mas como sou suspeito para falar, deixo para outra pessoa.

Gentte SA: Conte-nos um pouco sobre a exposição e o que podemos encontrar lá.

Joaquim Branco: A exposição VERDE 90 ANOS vai mostrar fotos individuais e em grupos dos membros do movimento, de várias situações em casa, com a família, as capas das revistas e livros, os textos mais representativos, os logotipos criados por Rosário Fusco, desenhos e caricaturas, as biografias resumidas e tudo que pudemos coletar de interessante. Creio que pode agradar muito aos cataguasenses, principalmente. Também vamos lançar 2 livros, a preço módico (30 reais pelos 2), sendo um meu e um do Ronaldo Werneck. Finalmente teremos um sarau de poemas dos autores da Verde com a talentosa equipe do Proler de Cataguases. Espero que todos possam se interessar por este evento, principalmente professores e estudantes de todos os níveis.

O evento acontecerá no Centro Cultural Humberto Mauro, dia 18 de Março, a partir das 19h. A entrada é franca.

Capa da primeira edição da Revista Verde, publicada em 1927.

Os criadores da ‘Verde’