Mas as previsões do crescimento da economia decepcionam

 

A facilidade de crédito e o aumento do poder de compra iniciados há alguns anos ainda chama a atenção de grandes companhias para o interior do país. Antigamente, o público-alvo de grandes empresas se concentrava em metrópoles, no entanto, este cenário mudou. Devido à alta concorrência nestas cidades, os municípios de médio porte passaram a oferecer novas oportunidades, mão de obra mais barata, incentivos e o mercado se tornou instigante.

A nova classe média brasileira apostou em eletrodomésticos, computadores, celulares, imóveis e se deixou levar pela fartura de crédito. Esse movimento foi o combustível que aqueceu a economia e ajudou o país a passar pela crise mundial. Contudo, a alta dos preços, a redução da concessão de empréstimos, os juros e a inflação fizeram com que esta movimentação desacelerasse. Em 2014, por exemplo, a classe média deixou de crescer e o consumo foi mais estimulado pelas classes A e B que, respectivamente, aumentaram. Apesar das mudanças, a democratização da informação e o acesso à internet mostra cada vez mais um público ávido por tecnologia e com apetite de compra. Após estabelecidas nas capitais, as empresas estão em busca de cidades mais tranquilas .

Há cerca de dois anos, os comerciantes Cláudia Machado Silva Mendes e Pablo de Souza Rodrigues receberam um convite de uma famosa franquia de roupas com a proposta de se instalar em Cataguases. Com apoio da marca, eles embarcaram neste empreendimento. “O franchising te dá todo um suporte para você fazer a montagem da loja e a questão principal talvez seja a visibilidade do produto em âmbito nacional”, explica Cláudia. Além de contar com a assistência em campanhas e promoções desde o início, eles têm uma equipe à disposição para auxiliá-los. O grande desafio, porém, foi alinhar o espaço físico. “Tivemos um tempo curto para montar toda a estrutura. Outro complicador foi seguir todo o padrão pré-estabelecido. Torna-se inviável fazer qualquer modificação, tentar diminuir os custos, pois já existem os fornecedores homologados por eles”, conta Pablo.

Em 2010, Liliane Hasenfuss abria a primeira franquia de chocolates da cidade. Hoje, a loja já passa por reformas para ser ampliada. Entre as vantagens, ela destaca a exclusividade oferecida pela empresa. “Ninguém mais pode trabalhar com a marca aqui”, disse Leiliane. Além disso, ela também conta com uma assistência comercial. “Tenho um canal onde o franqueado pode encontrar todos os layouts de campanhas e as artes vêm prontas. Em épocas comemorativas, nós recebemos os sposts para as rádios, temos uma estrutura grande. Há um consultor que visita a loja regularmente, e outro que fiscaliza para o Programa de Excelência ao Franqueado – PEF. Todas as lojas têm de estar padronizadas. Então, ele vem, e você ganha uma nota do PEF, tudo dentro da franquia. Há muita cobrança para bater as metas, sempre verificamos o espaçamento entre as mercadorias nas prateleiras e respondemos todas as pesquisas”, pondera. Guilherme Dias Gonçalves, que também possui uma franquia do mesmo seguimento em parceria com a irmã, revela que eles sondaram com a empresa cerca de cinco meses antes de inaugurar a loja. “A parte burocrática foi a mais complicada. A franquia tem de se resguardar, então são muitos documentos”, explica Guilherme, que elogia a qualidade dos produtos e o suporte que recebe.

Gilmar Abranches de Morais é um dos donos de um tradicional supermercado de Cataguases inaugurado em 1987. Há uma década, eles contam com a parceria de uma rede que possui 15 lojas espalhadas pela Zona da Mata Mineira e Noroeste Fluminense. “Talvez, o fator principal de se aliar a uma rede seja a agressividade do preço. Através de contratos com fornecedores, nós temos valores melhores. Esse processo nos ajudou muito através do associativismo. Você ter contatos com empresários do mesmo ramo nos favorece e abre o nosso leque de conhecimento”, revela Gilmar. O supermercado deve abrir uma filial ainda este ano no centro da cidade.

Outro empreendimento de destaque pertence a Julio Antonio Carraro Mendonça em Leopoldina. “O mercado começou no varejo em 1986, como uma pequena quitanda de verduras que já buscava, naquela época, ter o melhor serviço e produtos de hortifruti da região”, conta. Com o passar do tempo, a empresa chegou a participar da fundação de uma rede de associados e, após isso, trilharam o caminho solo com a expansão de filiais pela cidade. “Há três anos, abrimos a loja em Cataguases e foi algo muito especial para nós, pois foi a primeira fora de Leopoldina e, já de início, tivemos uma aceitação e carinho muito grandes”, comenta Julio. Além disso, um centro que abrigará 11 lojas, praça de alimentação e, entre outros, um supermercado, será inaugurado.

O avanço dessas companhias na redondeza e a chegada de franquias são exemplos que evidenciam o potencial de consumo de um público que fez com que as atenções se voltassem para o interior do país. Contudo, as expectativas para 2015 não são boas. Em uma previsão do mercado feita pelo Banco Central, a estimativa de expansão da economia para este ano recuou de 0,77% para 0,73%. De acordo com o G1, a condução da nova política econômica será crucial para determinar o reequilíbrio do país.