O “Biciclotrem”, como ficou conhecida a adaptação de duas bicicletas para circular sobre os trilhos, idealizado pela ONG Pacto Ambiental e o Coletivo Cerca Onça, surgiu como uma intervenção urbana para a mobilização social a respeito da preservação da malha férrea entre Camargo e Três Rios, desativada recentemente, cuja concessão de funcionamento pertence à Ferrovia Centro Atlântica. O não uso dos trilhos e, consequentemente, a falta manutenção do percurso, causa, em médio prazo, sua deterioração, por ações de depredação e do próprio clima.

A proposta do Biciclotrem alcançou seu objetivo básico ao colocar em pauta os benefícios que uma malha ferroviária em boas condições podem gerar. A iniciativa chamou a atenção, e o grupo de apoio à causa – inicialmente formado pela ONG Pacto Ambiental, Coletivo Cerca Onça, Associação Biciclotrem e Sindicato dos Comerciários de Cataguases – foi procurado por ONGs interessadas na preservação da cultura ferroviária, com a intenção de elaborar projetos para utilização da Maria Fumaça 51, de posse da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), de Além Paraíba.

Representantes das instituições reuniram-se no dia 5 de agosto, com o Circuito Ferroviário Vale Verde (CFVV – Sul de Minas) e, através do decreto 02/2015, regulamentou-se a criação do Núcleo CFVV Pólo Cataguases/Além Paraíba – Grupo Zona da Mata.

A primeira reunião do grupo com o terceiro setor aconteceu em 8 de agosto. Estiveram presentes membros da ABPF, Sindicato dos Comerciários de Cataguases e região, Coletivo Cerca Onça (Cataguases), Associação de Biciclotrem (Cataguases), ONG Pacto Ambiental (Cataguases) e do Circuito Ferroviário Vale Verde (CFVV – Lavras), além de gestores culturais interessados na preservação da tradição ferroviária. Na ocasião, foi fundado o Núcleo do CFVV Cataguases – Além Paraíba, e traçadas estratégias para ocupação da malha ferroviária.

Uma das opções mais viáveis – e que pode gerar recursos para a manutenção da malha – é o Trem Turístico. A ABPF possui uma Maria Fumaça, modelo 51, de 1.880, que pode ser colocada a ponto de marcha, e que necessita apenas de alguns reparos.

“Uma articulação intermunicipal terá início no mês de agosto, para que este sonho, que parecia estar tão longe, em breve transforme em realidade. O estudo ainda é embrionário, estamos realizando um projeto para levantar custos. Temos uma Maria Fumaça 51 em condições de rodar e precisamos de dois vagões passageiros” – conta o Diretor Jurídico do Núcleo, Eduardo Caetano Machado.

O trajeto prevê, inicialmente, que o trem faça uma viagem de Além Paraíba a Cataguases, mais a realização de uma viagem, a cada 15 dias, com saída da Estação de Cataguases e paradas no distrito de Aracati; finalizando o seu curso na Estação de Vista Alegre. Outro percurso previsto é o Circuito Humberto Mauro, de Cataguases à Volta Grande.

De acordo com Eduardo, a ativação do Trem Turístico – além de manter um símbolo cultural de Cataguases – movimenta em torno de 52 setores da economia e trará impactos diretos à cidade e à rotina dos moradores, tanto na estrutura urbana; quanto na geração direta e indireta de empregos em torno do turismo e do comércio da região. “A revitalização das estações Cataguases/Aracati e Vista Alegre poderá trazer impactos diretos no comércio da cidade, e contribuir, inclusive, com a criação de novos pontos comerciais no entorno das estações, como feira de artesanatos, lanchonetes, restaurantes e pousadas”, enumera Eduardo.

O Núcleo CFVV pretende realizar um encontro, previsto para o mês de outubro, para discutir a preservação da estrada de ferro e a ativação do Trem Turístico. Além da discussão, o I Fórum de Tradições Ferroviárias da Estrada de Leopoldina, juntamente com o I Encontro de Veículos Férreos Alternativos, promoverá a conscientização para o apoio político dos municípios de Cataguases, Leopoldina, Recreio, Volta Grande e Além Paraíba, para obter a concessão da linha férrea; e a captação de recursos de empresas da região, para a revitalização da Maria Fumaça e aquisição dos vagões.

Se você tem interesse de apoiar este projeto, entre em contato com Eduardo Machado.

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