Sobre o Dia Internacional do Indígena, é uma importante data como referência para os dominados, minorias e sofridos, tão pouco conhecidos. Para eles, todo dia é Dia de Índio. Quanto ao Dia do Folclore, considero uma das mais relevantes do calendário de comemorações. A cultura popular precisa de um dia especial para ser comemorada, apresentada e discutida, principalmente nas escolas e nas praças.

A influência da cultura indígena, na região, é muito forte, embora sua ocupação, nos séculos XVIII e XIX, tenha criado um estigma – gerado pelo pensamento religioso e político dos invasores dessas terras – de que os nativos eram dotados de selvageria e indolência. Isso influenciou as gerações miscigenadas a ponto de sentirem vergonha de terem sangue índio, o que gera a autonegação de suas origens.

Por aqui, viveram Puris, Coroados e Coropós. No entorno, divisa com estado do Rio de Janeiro, ainda havia os Tupis, Goitacás e Guarus. A vinda dos capuchinhos para a região criou uma “grande salada”.  Traduziam o Dicionário Geral da língua Tupi. E os grupos daqui eram os dos linguísticos Macro-jé. Colocavam nome em povoações e aldeamentos de topônimo Tupi.

O nome Cataguases é um bom exemplo disso. Até que ficou simpático “terra de gente boa”, mas não é isso. O Guido não tinha esse conhecimento, apesar de defender os índios à maneira dele. Quem ficou com a melhor parte da salada foram os faisqueiros e os colonos.

Muitos resquícios foram encontrados em sítios arqueológicos, só que as Universidades se apoderam desse material e outros sítios foram encobertos por represas, sem terem sido estudados. Há, em Rio Pomba, um Museu histórico muito rico em matérias desses povos ceramistas.

Temos o costume de integrar os mitos à tradição. E mitos são fontes  secundárias, através das quais se realizam a pesquisa. O que temos, ainda, de original e confiável estão em livros de viajantes estrangeiros. Ou na memória de poucos caboclos que ainda vivem nos altos de serras bem afastados da civilização.

Em relação ao Folclore, em toda manifestação artística e cultural da região, ele se faz presente. Cinema literatura, pintura, música. Nas escolas o folclore é pedagogicamente delicioso. Seu estudo é o que mantém viva as nossas tradições.

Ricardo Quinteiro de Mattos – Historiador