Cristina Almeida

É no convívio com o outro que os problemas das relações surgem. E isso é algo que vivenciamos todos os dias, em casa, no trabalho, na rua. Nas escolas, a situação é potencializada, pois convivem muitas crianças em diferentes espaços e situações diversas (sala de aula, ônibus escolar, pátio, entrada e saída), as quais geram, inevitavelmente, inúmeros conflitos.

Aqui no Florescer, aproveitamos essas situações conflituosas para o ensino de uma ferramenta fundamental para todos: o diálogo.

Dialogar não é necessariamente concordar com o outro, mas estar aberto a isso! Estar aberto a ouvir, a considerar outro ponto de vista sobre uma situação e tentar entender em que princípios o outro se baseia quando acha algo certo ou errado, é tentar chegar a conceitos comuns para que se possa tentar resolver de forma justa e equilibrada, rever seus próprios princípios, suas ações…

Mas obviamente, isso não é simples, dialogar envolve uma longa aprendizagem que, no Florescer, começa desde muito cedo, na Ed. Infantil e segue com situações assim até o 5° ano do Ens. Fundamental I.

Dialogar pressupõe ser capaz de se descentrar. Quanto mais novos os alunos, mais desafiadora é essa premissa.

Deslocar o olhar requer um amadurecimento, que só vem com o tempo.

Atividade, desafios, situações disparadoras são encaminhadas em sala de aula para ajudar os alunos a perceber que existem diferentes perspectivas para uma mesma situação. Muito mais que regras de comportamento, os princípios podem nos ajudar a restabelecer o bom senso e a banir atitudes desagradáveis. É preciso discutir as relações e os princípios morais em que a escola e a classe se pautam para que os alunos tenham autonomia na hora de atuar com o outro.

Em muitas situações, fica evidente como o diálogo efetivo vem se tornando escasso em nossas relações.

Muitas vezes, vemo-nos em conversas que mais parecem monólogos, em que a posição do outro não é levada em conta para repensar a sua, mas sim para ser rebatida de qualquer forma, ou ainda presenciamos conflitos que não se dissolvem  com uma conversa.

Por tudo isso, temos a convicção que aprender a dialogar é um conteúdo fundamental para qualquer vivência em comunidade.