A democratização da rede aliada aos avanços tecnológicos tem proporcionado amplo acesso e transportado ca
da vez mais pessoas ao ambiente digital. A necessidade de contato físico deixa de ser essencial e dá espaço às negociações e conversas pela web. As mídias sociais constituem um universo virtual, uma vez que não representam em si a realidade, mas, sim, uma imagem pré-concebida do indivíduo. Paralelo às melhorias nas câmeras nos celulares, aplicativos como Instagram e Pinterest cresceram significativamente. Este movimento mostrou um lado narcisista e evidenciou a necessidade do ser humano de eternizar o momento, sendo visto, lembrado e expondo sua vida em perfis que, muitas das vezes, confundem-se com vitrines.

O que muitas pessoas acreditam é que o uso sem controle da internet faz com que as pessoas deixem de se socializar, fiquem presas e se segreguem em sua individualidade. A especialista em filosofia e mestranda em ciências sociais na UFJF, Ana Idalina Carvalho Nunes, argumenta que a tecnologia não pode mudar o que é o fato, mas tem o poder de potencializar o que já existe. “Penso que isso acontece pela falta de um diálogo real mais atraente que leve a pessoa a se desligar do mundo virtual e sentir vontade de vivenciar o contato mais físico com o seu meio. Se bem estimuladas, se percebem a própria vida como interessante, as pessoas sabem dividir seu tempo e aproveitar a vida presente”, afirma.

Apesar de seu lado negativo, a internet tornou-se fundamental e, por que não dizer, vital para o desenvolvimento da vida humana. A instantaneidade e a troca de informações possibilitou uma ampliação nas formas como as pessoas se interagiam; o conhecimento se tornou acessível. Os processos em indústrias, empresas e comércio foram aperfeiçoados e o trabalho, antes feito pelo homem, foi substituído por máquinas que produzem de forma padronizada.

Ainda segundo Idalina, é possível dividir os usuários da internet em vários tipos. “Existem os que precisam de ajuda psicológica, os que usam tais recursos para fugir de uma vida real chata e vazia, os que apenas precisam disciplinar seus horários e, ainda, os que fazem isso por escolha, porque lhes faz bem”, ressalva. “Estamos vivendo a versão contemporânea da “Alegoria da caverna” de Platão, onde os escravos viviam acorrentados dentro da caverna, olhando sombras nas paredes, com a certeza de que viviam a vida real. Como na história do filósofo, aquele que se atrever a romper a corrente e vier a perceber a vida em sua plenitude, será taxado de louco”, finaliza Nunes. Cabe ao usuário dosar o mundo real com o virtual, policiando-se para viver uma vida saudável. Como dizia o filósofo grego Aristóteles, o homem é um animal político, e é a própria natureza humana que exige a vida em sociedade.