Dois eventos têm movimentado as esferas política, econômica, social e esportiva do Brasil em 2014: a Copa do Mundo em junho e as eleições presidenciais em outubro. São muitas as discussões e opiniões sobre esses dois assuntos.

A população não está discutindo apenas sobre a escalação do técnico Felipão, mas sim sobre a possível corrupção na construção dos estádios, a falta de infraestrutura das cidades sede, o possível caos aéreo e o porquê de não destinar esses recursos em outras áreas como saúde e educação.

Há aqueles que defendem o evento futebolístico e acreditam que este trará desenvolvimento econômico e social para o país, enquanto outros criticam a falta de planejamento e sugerem um boicote. O fato é que a Copa vai acontecer no Brasil, 64 anos depois da derrota da Seleção para o Uruguai no Maracanã e, irá movimentar a vida dos brasileiros, a favor ou contra, até o final de julho.

Em seguida, começa a disputa para o cargo de presidente da República. Entre os candidatos estão Dilma Rousseff (PT), que lidera as pesquisas, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), aliado a Marina Silva. Alguns apostam até na candidatura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que anunciou sua aposentadoria para este mês de junho. As eleições também vão definir governadores, senadores e deputados pelos próximos quatro anos.

Com esses dois grandes eventos os brasileiros terão um segundo semestre bastante agitado e com possíveis surpresas tanto na Copa quanto nas eleições.

Os movimentos

 Ás vésperas da Copa do Mundo tem ocorrido paralisações e greves de diversas categorias em todo o Brasil como dos professores, motoristas de ônibus e metroviários em São Paulo e dos profissionais da saúde no Rio de Janeiro.

No final do mês de maio houve saques e vandalismos em Recife durante a paralização da Polícia Militar e depredações de 300 ônibus no Rio. Essas ocorrências ganharam os jornais de todo o mundo. Diante deste cenário há quem acredite que o país possa parar durante o mundial. O que se pode ter certeza é que o evento será um espaço de protesto e reivindicações.

A interferência desses eventos na economia 

Nas eleições são gerados empregos para trabalhar diretamente com os candidatos ou na confecção de materiais de propaganda eleitoral. É o exemplo das gráficas que produzem milhares de santinhos durante essa época.

Já a Copa traz excelentes oportunidades para os setores de serviços, hotelaria, alimentação e turismo. Além disso, alguns segmentos do comércio também investem em artigos temáticos como camisas, faixas e bandeiras. Porém o que tem se destacado é a venda de televisores. Desde o início do ano a venda desses aparelhos aumentou muito. Segundo pesquisa do Fecomércio-RJ em parceria com a Ipsos no primeiro trimestre já houve um crescimento das vendas de 50,38% comparado com o mesmo período do ano passado.

Em Cataguases, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cataguases, Humberto Lanzieri, apesar desses grandes eventos o comércio de um modo geral passa por dificuldades. “Agora que as decorrências da inflação e do endividamento da população, o que provoca diminuição da renda para o consumo, estão surtindo seus efeitos sobre o comércio. Quanto à Copa do Mundo, percebe-se que o comércio não está muito otimista com os resultados de geração de vendas, pois, pelo lado da demanda, percebe-se pouco ânimo para o consumo de artigos relacionados ao evento devido, além dos fatores acima citados, a um alto índice de reprovação em relação aos gastos gerados pela Copa. Pelo lado da oferta, temos o problema dos horários de funcionamento normais, que serão reduzidos, e o próprio receio do comerciante em investir e não se obter o retorno desejado. Claro que alguns setores, como os que vendem bebidas, terão grande incremento de vendas, mas que podem não compensar os demais que poderão ter crescimentos nulos ou negativos.”

De acordo com a pesquisa realizada pela consultoria Nielsen Sport Track, especializada em levantamentos sobre a influência do esporte no mundo dos negócios, 63% da população brasileira costuma consumir bebidas, doces e salgadinhos assistindo a jogos de futebol. Espera-se que nesta Copa esse público beba R$ 2 bilhões em cervejas e refrigerantes.

E é com essa expectativa que bares e restaurantes estão se preparando. A proprietária de um tradicional bar da cidade, Ana Resende Miguel, espera receber um grande número de pessoas nos dias dos jogos. “Estamos enfeitando o bar, contratando mais funcionários e comprando uma televisão de 60’’ para atender os clientes.”

Para o sócio-proprietário de um supermercado na cidade, Mário Lúcio Abranches Moraes, a expectativa é que as vendas aumentem nas vésperas dos jogos. “Acreditamos em um crescimento, mas nada exagerado. Assim como ocorre quando há um feriado.”